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Solto as dores, medos, angústias, terrores
Solto as vergonhas, arrependimentos, culpas e julgamentos
Solto os ombros
Solto as células do meu corpo que descamam em sangue

Levam consigo memórias 
De todo e qualquer tempo
De um passado tão distante
Vivo neste intante através do meu corpo

Um emaranhado de trilhões de consciências 
Que carregam em si a história 
De tudo que houve em qualquer cenário que tenha existido 
Que existe

Sou memória 
Sou o presente
Sou o agora

Um corpo de nuvem dançante 
A dor que se transforma em cura
Tristeza ferida da alma 
Tudo pertence ao momento instante 
Sequer há o que ser perdoado

Encontro no centro vácuo 
Acolhe todas as partes
Leva ao outro lado
De onde renasço, uma outra vida
Do mergulho no escuro 

Lua sem brilho ou guia
Conduzida pela sombra que me habita
Aceito a morte e a vida
Novo corpo que nasce em êxtase 
Da escuridão acolhida


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