as ordens do amor
Somos luz.
Feixes de luz percorrendo o infinito até chegar ao ponto de partida dele mesmo.
Linhas que se emaranham na existência atemporal do agora.
Partículas de consciência cujo desejo é voltar ao ponto da criação, expandindo e retraindo na respiração cósmica.
Desta dança, hoje a ciência evidencia o que os mestres já disseram: somos parte de um todo uno e indiviso, conectados pelo vazio que nos compõe e a toda a existência.
Nada há que possa estar separado.
Neste sentido, a visão sistêmica abre um novo espectro de consciência com o objetivo de desemaranhar as linhas e sustentar a fluidez da força da vida em cada sistema e através das gerações.
A existência é ordenada em seu caos.
São as ordens do amor: pertencimento, ordem e equilíbrio, que garantem o fluxo correto das informações através das sinapses universais.
O pertencimento é (ou deveria ser) inerente à existência. Se algo existe, pertence. Nada pode ser separado de si mesmo, ou em última e primeira instância, da própria existência.
Na perspectiva limitada da consciência humana temos a falsa ideia de estarmos separados uns dos outros, em personalidades, indivíduos que compõem sistemas familiares e sociais.
Desta ideia de separatividade surge, também, a ideia de que algo, ou alguém, pode deixar de existir, ou de pertencer.
Qualquer que seja a razão para a exclusão - abortos, rompimentos, prisões, abandonos, este movimento gera uma força contrária à ordem maior da existência, de que nada pode ser separado.
A exclusão cria um padrão que cristaliza ao longo do tempo, através das gerações, no campo morfogenético familiar, que é o campo de informações daquele sistema.
É muito comum observar famílias nas quais todas as mulheres passaram por um aborto ou têm um filho excluído por alguma razão.
Quanto mais gerações repetem este padrão de exclusão de um integrante, mais cristalizada torna-se esta informação no campo morfogenético e mais difícil será modificar este funcionamento.
Para sustentar o padrão - de manter fora do sistema uma linha de vida, o próprio sistema se regula de forma disfuncional, geração após geração, representando os mais variados contextos no mundo físico, especialmente nas relações, para justificar e dar continuidade à informação de exclusão presente no campo familiar.
Pactos de fidelidade, alianças invisíveis, das quais, muitas vezes, os integrantes nem adquirem consciência.
Estes pactos e alianças são feitos em nome do amor e precisam ser desfeitos também em nome dele.
É possível, por exemplo, que uma filha pactue também sofrer um aborto ou perder seu filho, assim como ocorrido com sua mãe.
Ou que um filho ajuste uma aliança com o pai, que foi excluído do convívio familiar, e passe a repetir as mesmas ações do pai que levaram a ser excluído.
Nestes casos, o filho pode ser a consciência familiar trazendo à tona a questão para ser vista, como pode ser a repetição do padrão, sendo este filho também excluído do convívio.
A mudança ocorre quando olhamos e incluímos todas as linhas de vida que pertencem ao sistema. Os não nascidos, os mortos, os rejeitados, os abandonados, os que foram excluídos do convívio familiar por qualquer razão que seja, e, também, aqueles que sequer são conhecidos.
Todo indivíduo quer pertencer.
Negar a vida de alguém é negar a própria existência. A linha de vida que se exclui precisa retornar e esta é a ordem natural.
Em algum momento, em alguma geração, esta inclusão e a ordenação do sistema precisa ocorrer. E dependendo do quão cristalizada, mais difícil acessar e modificar.
A segunda ordem do amor é a própria ordem, a posição de cada indivíduo dentro do seu sistema.
Cada pessoa tem um papel a exercer na família. Como mãe, pai, primeiro filho, segundo marido.
Mudanças de papéis são comuns e geram muitos conflitos para o próprio indivíduo mas, também, todo o sistema.
Filhos que assumem o papel de maridos da mãe, ou companheiros que estão na posição de filhos de suas esposas.
Isso ocorre pela disposição e realocação de papéis conforme as vibrações e capacidades emocionais dos indivíduos.
Mulheres que não contaram com a presença determinante do pai, por exemplo, caso não trabalhem a ausência da força naquela posição e assumam o papel de pais de si mesmas, buscarão pela vida homens dispostos (por suas próprias razões inconscientes) a assumirem tal posição.
Na lógica familiar sabemos ordenar os filhos.
O primeiro, segundo ou terceiro filho.
Assim como é muito importante incluir os mortos e não nascidos.
Filhos abortados têm seu lugar no sistema e devem, da mesma forma, ocuparem sua posição.
O próximo filho nascido não ocupa o lugar daquele que não nasceu e é considerado o segundo, ou o seguinte.
Mas é importante ordenar também os que não fazem mais parte daquele sistema em particular.
Quando um casal se separa, a tendência social é identificar a pessoa como 'ex', para denominar alguém que já fez parte mas agora está excluído daquele sistema.
O ideal, então, é ordenar as relações.
Tratamos, de acordo com a visão sistêmica, como primeira companheira ou segundo marido, e assim seguindo conforme a ordem em que houve o pertencimento naquela família.
Esta ordenação das posições torna o sistema coerente, cada ser ocupando o lugar ao qual está destinado.
É fundamental que cada integrante conheça seu lugar, seu papel dentro do esquema familiar e exerça o que lhe é devido conforme a posição que ocupa.
O que conduz à terceira ordem do amor, o equilíbrio.
Vistos todos os indivíduos e cada qual em sua posição correta dentro do sistema, é fundamental o equilíbrio nas trocas de dar e receber.
Cada papel tem suas próprias obrigações relacionadas ao dar e receber e que não necessariamente idênticas para que sejam equilibradas.
Entre pais e filhos há um vínculo entre um ser grande - os pais, e os seres pequenos -os filhos.
Neste sentido, cada um com sua obrigação dentro da relação.
Os pais dão aos filhos sem esperar receber. Assim como os filhos recebem e tomam a vida dos pais sem dar.
Um assunto para outra ocasião.
Em relacionamentos românticos, partindo-se da premissa que ocorre entre dois adultos (embora a grande maioria se relacione ainda através das feridas da infância, da criança ferida que direciona as ações e reações), a troca deve ser equânime.
O desequilibrio no dar e receber resulta em relações também desequilibradas e frustrantes.
Quando há este equilíbrio, o vínculo é saudável e a relação é satisfatória.
É preciso manter-se vigilante nas relações interiores, em primeiro lugar.
As posições que existem e exercemos em nossa própria psique, de pai e mãe, especialmente. Com total atenção à nossa criança ferida que ainda necessita receber dos lugares de pai e mãe sem consistência e força por não terem sido ocupados, ou negados.
O trabalho de honra ao pai e a mãe é essencial na construção do arquétipo adulto.
E, igualmente, observar estas engrenagens no sistema familiar e com pequenos movimentos, facilitar a mudança.
O sistema passa a se regular de uma nova forma e este desemaranhamento proporciona uma vida mais fluida, ordenada e saudável para todos.
Um esboço sobre as ordens do amor das constelações sistêmicas
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