a ordem | rituais



Estabelecer o devido lugar e momento de cada pedaço de si.


Partes integrantes de um todo que se movimenta e manifesta conforme sua própria dança.

Pertencer ao seu devido lugar é o desejo comum a todos nós, indivíduos, a todas as partículas da existência, todas as galáxias, células, ou todas as emoções que nos compõe e vibram a nossa manifestação na realidade.

A ordem é inerente à existência. E ao caos.

Nosso organismo vive graças à ordem perfeita de diversos processos, um seguindo-se ao anterior e assim, sucessivamente, num ritmo, num ritual engenhoso e ordenado, que sustenta, sozinho, a nossa vida. Em sentido amplo, sustenta toda a existência. A respiração cósmica. O expandir e o contrair da existência. 

É necessário que cada partícula, molécula, tecido, órgão, assim como nossa vibração, estejam presentes no seu próprio lugar, manifestando o que precisa ser manifestado através daquele ponto da existência. 


Sob a visão sistêmica, muitos são os emaranhamentos que ocorrem porque as pessoas não estão ocupando o seu lugar.

Filhos que se tornam pais dos seus pais, ou assumem o lugar de companheiros, manifestando ações de um papel que não é o seu. Passam a cuidar ou dividir a vida e responsabilidades conjuntas.

Ou irmãos em desarmonia pelo desvalor a alguma das posições e o desejo de ser | ocupar, a posição do outro, dentro da família. 

Outra situação comum são os filhos que nao nasceram serem excluídos da família (não conhecido, não falados, não honrados) e, com isso, os outros irmãos ficam desordenados.

Se o primeiro filho não nasceu, por quaquer razão, ainda assim ele é o primeiro filho, ele existe no sistema familiar. Os seguintes seguirão a ordem contando o não nascido.

Esta conduta estabelece a ordem da existência. Reorganiza a malha da consciência e permite que cada um manifeste a ação inerente ao seu lugar.
Que, com presença, tome a força daquela posição e ocupe a si mesmo e à toda a existência naquele ponto que lhe é devido e que, agora, é só seu.

A ordem permite fluir a vida, uma vez que estão desemaranhados os fios e cada ponto se liga ao outro de forma saudável, com a luz propagando-se na existência da forma como se propôs a fazer.

Ocupar o nosso verdadeiro lugar liberta. Solta as culpas e as amarras a um papel que não é nosso. Podemos deixar as cargas naquela posição que não é nossa, e seguir pro nosso ponto, literalmente. 

Com este movimento que desemaranha o sistema, movendo-nos internamente para o nosso lugar a papel, toda a engrenagem precisa, novamente, movimentar-se.
A auto regulação do sistema é isso. A engrenagem inteira vai se movimentar a partir de um primeiro movimento.

Presenciar um movimento, um desemaranhamento, uma cura, é miraculoso.

Observar a psique ordenando seu caos, cada arquétipo no seu lugar, dando força para cada ação necessária, vai manifestar a ordem também no mundo exterior e a engrenagem vai, novamente, se mexer.

A rotina também é ordem. É vida manifesta da ordem interior. Da capacidade de ordenar a si. Os próprios impulsos e necessidades que, por sua vez, são também inerentes às posições que ocupamos.

À ordem. Meu amoroso cumprimento. 
A busca de uma vida mesmo antes que eu entendesse.
Buscar o direito das coisas, dos movimentos, das relações. Sempre me pareceu que deixa o mundo mais bonito. 


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