liberdade

Romper correntes, dói.  
Quando estamos com o corpo em carne viva, como ouvi hoje,  carne sensível talvez não suporte outra ferida.
Quebrar elos sustentados através dos tempos pode mutilar a carne. Pode doer absurdamente. Pode sangrar. 
Mas é preciso.
Ou morreremos asfixiados. 

Acorrentar-se em algum lugar, presa por toda uma vida, ou várias 
A prisioneira é também a carcereira

Mantida sob domínio e a serviço dos outros
A fragilidade em não se apropriar do seu poder
Em nome do amor.  Em nome do que o ambiente precisa manter
Em nome do que as pessoas que amamos precisam

Assumir a propria vida requer coragem
Coragem de não ser o que se espera
De ir pra onde não querem
Distância ou não. A posição interna é que muda o contexto

Se moverá o mundo, certamente
Mudanças de perpectivas fazem acontecer a mudança externa

Romper correntes, dói 
Olhar tudo dentro e encontrar qual parte está grudada à ponta da corrente
E deixar ir esta parte
A carne regenera

Não é preciso vingar a dor do que foi perdido
Mal sabe-se que aquilo ainda vivia. Pulsava

Dor que manifesta a ilusão do cárcere 
Não existe prisão se nao dentro do corpo
A liberdade pulsa no coração e expande pra vida


Sou pura dor
Ódio 
Vingança 
Sou tanto amor

Buscadora de mim
Não há o que buscar 
Nada incerto ou perdido
É só preciso aceitar

Acolher os erros. As dores. Os julgamentos.
Cada um que fala do seu próprio lugar
Não existe empatia sem viver a vida do outro
E pra isso é preciso muito andar
Conectar com sentimentos da alma
Olhar verdadeiro de outro lugar. Com olhos outros. Com o coração do outro
Pra não vomitar desprezo
Não ferir ainda mais o que já está ferido


Se precisamos sair de um lugar 
Que o mundo se mova
Porque tudo ao redor quer ficar como está 
Mas também tudo quer se curar

Cada molécula de mim busca o perdão 
Cura. Aceitação 

Numa realidade hostil e devastadora 
Sentir e não viver o padrão é sinônimo de exclusão 

Ou se existe conforme o planejado 
Ou se sobrevive com medo de não dar conta de tudo que se impõe 
Com medo de ser apontado
Tanto sofrimento ainda se passa por má vontade
Ilusão 

Talvez vingança 
Já dancei também com esta senhora
Sou a cura de todos. E todos são a minha cura

Minha força é só minha
Escapada pelos meus dedos
Abandonei meu trono de rainha
Deixei-me ser o que precisavam que eu seria

Agora vou
Partir pra onde faça sentido 
Sem medo da vida possível 
Não importam mais os julgamentos

Romper as correntes, dói 
Permitir manifestar a liberdade interior, dói 
Aprender que se pode viver como deseja, dói 
Sentir que ainda vai existir ainda que diferente, dói 

Mas liberta
Dá a nova chance
Seguir a própria jornada 
O caminho do coração 

Porque vão achar tudo errado de um jeito ou outro
Até que já não saibam mais meu nome
Posso viver sem desespero do não amor
Da falta que fica no círculo da exclusão


Sou tantas em uma. 
Jornada de auto descoberta por baixo das memórias mantidas de mim
Sou tudo e nada
Apenas mais alguem buscando ser amada


Não me fiz sozinha
Só adulta posso educar a mim
E ter consciência da repetição 
Pular as armadilhas e seguir em outro caminho

Meritocracia é uma doença social
Acreditar que cada um tem o que merece nessa vida é eximir-se do mundo
Como se a alma de cada um não reverberasse no cosmo

Cada corpo é sete. Cada corpo ligado no outro. 
Conexões que viajam no tempo do agora
Só é possivel romper as correntes aqui
Doa o corpo que doer.

Se meu lugar de serviço ficará vazio 
Todos ao redor devem se modificar
Já não existe a dependente frágil para bancar 
Não há mais problemas, com certeza

Apenas a reconfiguração do sistema pra cada um recolocar 


Sou nada
Sou afronta 
Sou vingança 
Sou consciência 
Sou rompimento 
Sou transformação 

Sou livre 

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