abismo

Nada para mim é mais belo que o abismo
Aquele lugar onde me reflito
A queda infinita e sombria de onde renasço 
Voando volto à vida
Do mergulho sem fim ao desconhecido
Encontro a mim no salto que rompe as amarras
A entrega ao vôo sem que saiba voar
Confiança que as asas existem 
Há momentos que a única chance de vida é saltar 

Sou metarmofose
A cada mergulho em espiral
Revisitando velhos lugares 
Com nova visão e emoções 
Ordeno o caos que me habita
Sou a existência em transformação 

Acolho minhas faltas
Percebo o medo dos vazios que me preenchem
Já não são gigantes sombrios
Apenas a chance de eu me ocupar
A grande oportunidade que a vida oferece
Sou quem completa o quadro de mim
Dos lugares que me faltavam sentir
Dores que não encontrava no raso
Sentires que pareciam não ter começo nem fim
Encontrei raízes nas lamas da alma
Consciência que habita em mim
Sou tudo e nada
Sou parte
Integrada memória do que nunca vi
Agora sim eu posso sentir 

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