Comunicação ____ violenta

Expressar o mundo interno de forma positiva requer habilidade. 
A sensibilidade excessiva aos estímulos externos, atitudes e ações das pessoas e do mundo, pode trazer confusão imensa, impedindo o reconhecimento do que é seu e o que é do outro.
A inabilidade em lidar com a profundidade das emoções e sentimentos me parece ser a grande causa das distorções da realidade e conflitos internos, que refletem no mundo externo como a incapacidade de gerir a própria vida e grande dificuldade nos relacionamentos interpessoais.
Absorver e identificar-se com as vozes da mente e incorporar no próprio corpo as verdades distorcidas que contamos a nós mesmos, podem ser o ponto central do que se chama neurose.
Por dez mil anos estamos aprendendo sobre a existência do certo e do errado.
O bom e o ruim. O merecimento de recompensa ou de punição.
Criação de um modelo social baseado no medo que nos desconecta, no nível mais profundo, de nossa verdadeira essência. 
A repressão leva à violência.
Uma essência que não é autorizada a existir, não deixa de existir.
Ela apenas tomará outras formas para manifestar-se e, quanto maior a força para escondê-la, tão maior a força com que expressará sua potência. 
Toda a comunicação com a qual estamos habituados é feita a partir de uma linguagem estática e de dominação, onde adjetivamos o SER e julgamos a pessoa a partir de suas ações, no lugar de apenas observar as atitudes.
A partir deste modelo de linguagem que fortalece a justiça retributiva, tornamo-nos cada vez mais duais, acreditando que há partes de nós tão monstruosas que nos fazem merecer punições. 
Pq acreditamos que SOMOS estes pensamentos ou ações. 
Deste auto julgamento nascem todo o tipo de distorções que impedem a vida de manifestar toda sua plenitude e interrompem a autorrealização.
Mecanismos de defesa da mente, ciclos de autossabotagem, autoflagelo, vitimismo, e autopunições de toda a natureza, nascem do autojulgamento.
Das histórias que ouvimos ou criamos sobre nós mesmos, que sustentam o padrão da dualidade em que aprendemos a viver e nos fazem acreditar que não somos merecedores da vida por alguma razão. 
Moralidade excessiva, nascida de um perfeccionismo inatingível neste plano, podem ser a causa do que se consideram distúrbios e doenças mentais.
Julgamentos e acusações, assim como diagnósticos de patologias das outras pessoas, alimentam fortemente a linguagem  da violência, manifestada em raiva, depressão, culpa e vergonha, 
Estes são os sentimentos guias que alertam para pensamentos gerados pela linguagem da violência, da dominação, do poder e subjugação do outro. 
Acusações e diagnósticos, encarar o outro como alguém inadequado para o convívio social, excluir e esconder pessoas em nome do que se diz um tratamento, parte do pressuposto que há algo de errado com esta pessoa.
Tais condutas implicam no fortalecimento do discurso de separatividade, onde há o bom e o mau. Pessoas boas que merecem o bem e pessoas más que merecem ser punidas. 
Rumi diz que há um lugar além das ideias de certo e errado.
Este lugar permite obsrvar a vida que existe dentro de si e do outro.
Possibilita uma conexão real com as necessidades de cada ser. 
Necessidades estas que são inerentes a todos os seres humanos e que quando nao atendidas causam grande medo e desespero.
Marshall Rosenberg diz que 'toda a causa da violência é o pensamento'.
E 'o pensamento que causa a raiva é uma expressão trágica e dramática de uma necessidade não atendida'.
Assim como a depressão, criada pela mesma linguagem que a raiva, acontece por pensarmos que há algo de errado conosco, nos colocando em total desconexão às nossas necessidades.
Aprendemos a esconder nossas necessidades desde mesmo antes de sabermos sobre elas.
Crescemos num mundo onde ser sensível é ruim, necessitar de conexão empática é frescura, segurança e proteção cada um que se vire.
A desconexão com nossas próprias necessidades não nos permite perceber a necessidade do outro.
Todo este movimento é de afastamento de tudo o que há de vivo em nós. Deixamos de saber o que é preciso para tornar nossa vida maravilhosa. Nos desconectamos da vida para nos aprisionarmos numa linguagem de violência.  De reatividade e destruição. 
Os sentimentos causadores das expressões de violência são manifestações claras do que está acontecendo com nossas necessidades.
Ao expressarmos uma explosão de raiva e agressividade estamos manifestando que há uma necessidade vital não sendo atendida e que a dor causada por este pensamento está insuportável. 
Marshall também diz que 'quando as pessoas mais estão precisando de empatia, elas frequentemente se expressam de uma forma muito violenta'.
Por esta razão é tão importante o treinamento de observar e reconhecer a si. Observar os pensamentos que nascem sem avaliação se são bons ou ruins, mas usá-los como luz no caminho para identificarmos as necessidades que vivem sob eles.
A capacidade de permanecer no aqui e no agora, concentrados nos movimentos mentais que criam pensamentos de violência e seguí-los em busca de satisfazer as nossas necessidades e também a do outro.
A autoempatia promove a cura, pois que nos permanecemos conectados com o nosso mundo interno e, acolhendo as necessidades básicas podemos tomar atitudes positivas para construção daquilo que vai satisfazer nosso espírito e, com isso, não expressar a violência. 
De um lugar de verdadeira conexão empática, reconhecemos também as necessidades do outro que não estão sendo atendidas, ainda que ele mesmo não saiba, ou não consiga expressar, ou esteja expressando de forma violenta.
Nas palavras de Marshall 'quando nós  empatizamos, focamos no que a pessoa está vivenciando'.
Deixamos os rótulos e julgamentos e acusações para apenas nos conectarmos ao que está vivo, naquele exato instante, dentro de mim e dentro do outro.
A conexão com a vida parte da aceitação  e entrega total. Aceitamos totalmente quem somos e o que necessitamos verdadeiramente para viver com plenitude. E entregamos a nossa verdade ao mundo, certos de que validamos nossa essência e nosso valor pessoal a partir do que acreditamos ser vida em nós. 
E podemos, então, fazer este movimento de conexão à vida que há no outro, com nossa completa presença. 


Fonte:
Curso em comunicação não violenta. Marshall Rosenberg 



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