Será possível permanecer um ponto tão neutro em relação à vida, capaz de não impor ao outro qualquer comportamento em nome do amor e do medo?
Quando manifestamos qualquer pensamento numa ação, fica impresso nosso juízo de valor.
Verbalizar a potência do amor, da cura, da aceitação, a fim de silenciar os medos, a doença, a rejeição, é, em si, incoerente ou dual?
Experenciar um lado é o único caminho ao encontro do outro. O reflexo da dualidade.
Não sabe-se sobre aquilo que não conhece.
Segue a questão. É possível criar filhos isentos de julgamentos? Crianças que sequer dependam de uma consciência de amor materno incondicional, que não vivam complexos e distorções, desemaranhadas do passado e dos mecanismos do sistema familiar?
É possível educar sem aprovar ou desaprovar atitudes e exercer apenas uma guiança segura às decisões da própria criança?
Longe dos arquétipos e estereótipos mais profundos vivenciados na nossa psiquê. Especialmente e no nível mais amplo, sobre o que é um ser humano, e dentro disso, o que é uma mulher ou um homem.
Do lugar e do tempo aonde estamos, sabemos o que significa e como ser cada qual, assim como tudo que abrange ser uma boa mulher ou um bom ser humano.
Cartilhas. Códigos morais. Ética.
O que significa ser humano?
Mesmo o sentido para o mundo interno é guiado. Já foi visto. É contado.
Mesmo esta guiança para os filhos pode significar liberdade para eles ou apenas mais uma sugestão de como ser bom e estar bem?
Queremos estar bem. Merecemos estar bem.
Independente de toda e qualquer coisa.
Realmente acho essencial buscar conexão, autorrealização, equilíbrio, tratamento de sintomas como ansiedade, estresse e desequilíbrios de toda ordem física e emocional.
Mas as formas dessas buscas serão diferentes.
E está tudo bem.
E é possível aceitar o outro pelo que é.
Sem julgamentos ou projeções.
Sem condicionamentos e modelos de punição ou recompensa.
Mas no nível mais sutil, lá no meio, tem esta parte que julga e condena os atos dos filhos e entrega ou não entrega amor e afeto. Porque é o nosso próprio senso de moral. A nossa consciência do que é bom ou não.
E tudo bem.
Isso também quer ser visto. Aceito.
E que venha pra consciência com a reflexão sobre como pode agora conduzir esta guiança da forma melhor possível.
Filhos são reflexos e não são inquebráveis.
Assumem dores em nome do amor pelos pais. Assumem posturas e comportamentos para serem aceitos.
E há muitíssimos contos sobre como ser ou não ser aceita. Amada. Querida. Boa. Perfeita.
Um sem fim de programações que estabelecem o tipo de pessoa que se vai fazer.
Ainda bem que as coisas mudam. Os contos mudam. As histórias deixam de fazer sentido.
O mundo se transforma.
Para novas programações. Mas se transforma para o que precisa ser experenciado.
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