Superar a mente
Camada por camada
Observar o fluxo
A eletricidade que gera o pensar 
As dores que repetem

Deixar de ser o eu
Aquele que pensa e que julga
E o que sofre

Já não há mais lugar
No mar da consciência 
O eu torna-se areia
Água 
Ar

Funde-se e transforma-se
Agora posso me ver
Uma vez visto
Não há como voltar

À beira do abismo da dor
Único passo possível é saltar
Entregar-se ao medo do desconhecido
À dúvida se sabe voar

De lá voltar renascida
Sou outra
E sempre a mesma 
Sou o que há sob as águas 

Mergulho profundo para encontrar 
Verdade que rompe 
Dói e liberta o ser
Da mente que reinava só 
Um pulo que atravessa o tempo
Sou ser que sabe voar

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