espaço
Senti que pertencer e honrar em nada se relaciona com amor romantizado e idealizado que a criança interior buscava.
A utopia do amor incondicional materno, como se não pudesse haver sombra no ser 'mãe'.
Toda a culpa e angústia por não ser perfeita o suficiente para merecer o amor totalmente, a aprovação incontestável de tudo que sou.
Que tipo de pessoa surge de um medo tão grande de ser rejeitado ou abandonado caso não corresponda aos ideais daqueles que ama, e depende, principalmente?
Quantos mecanismos desenvolve uma criança cujas primeiras e mais fortes lembranças são de dor?
Sentir poder ser abandonada pela própria filha. Assim como pela mãe. De uma ferida interior que se manifesta em todos os vínculos, pela dor.
Decidir deixar pra trás quem fui. Nenhum abandono pode matar quem já sobreviveu.
Quem tem a si mesma para se acolher, amar, proteger e aceitar totalmente.
Emoções guiam por indese deve navegar. São bússolas que levam pelos caminhos escuros que precisam ser atravessados. Curar cada pedaço.
Acolher cada sombra. Encarar as raivas, ódios e medos.
E tornar-se nada. Uma copa vazia e cheia de emoções que fluem e transbordam. E tornam-se algo no mundo.
Assumo meu lugar.
Sem que alguém fora de mim precise me acolher. Me dar o meu lugar.
Porque mereço estar.
Apenas pelo fato de que já estou neste lugar.
Ninguém pode me tirar.
Ninguém pode ser tirado.
E comigo carrego os meus. Trago junto os que me guiam. Os que vieram antes de mim.
De quem não posso me seraparar.
Estão todos comigo.
E deles já não desisto por medo de alguém.
Da minha história não desisto. Por medo de alguém.
Do que vivi e me trouxe até aqui.
Sou vós. Sou todas e todos.
Sou nós.
Daqui, no meu lugar na existência
De onde não aceito mais sentir ser excluída .
Por mim ou por alguém.
Eu, mulher, adulta
Dona de mim e do meu amor
Coloco-me na minha estatura e ocupo meu corpo e meu lugar.
Sem importar se me querem tirar o espaço
Agora dependo apenas do meu próprio aceitar.
Reconhecer meu tamanho e meu valor
Vindo de dentro sem nenhum pesar.
Do pulso da morte e da vida
Estou aqui.
Deixando dissolver o medo de não ser o bastante pra ocupar este lugar.
Medo que me humilhem ou rejeitem.
Medo de que não me saibam amar.
Medo das sombras alheias que fazem sentir a vida desabar.
Agora adulta.
Nenhuma falta externa pode me matar.
Sou minha própria experiência. Sou minha vida agora.
Sou quem me ama da forma como desejo amar.
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